O senador Randolfe Rodrigues (PT-AP) confirmou pela manhã do dia 19 de junho de 2026 sua pré-candidatura à reeleição para o Senado Federal pelas redes sociais. O movimento veio poucos dias depois de o Tribunal Regional Eleitoral do Amapá ter suspendido um evento de lançamento que estava programado para a noite de 11 de junho no estacionamento do bairro Araxá, em Macapá. A suspensão aconteceu após o Ministério Público Eleitoral apresentar representação por suspeita de propaganda eleitoral antecipada.
O anúncio digital marcou uma virada de estratégia: sem o ato presencial, Randolfe gravou uma mensagem afirmando que segue no propósito de disputar mais um mandato. “Dou esse passo com a mesma força pra defender as conquistas do nosso povo e seguir lutando por um Amapá com mais oportunidades, desenvolvimento e justiça social”, declarou o senador, conforme publicação registrada pelo Diário do Amapá.
O que motivou a suspensão judicial
O Ministério Público Eleitoral protocolou representação contra o senador depois de um evento realizado no dia 6 de junho, no qual foram distribuídos adesivos, bandeiras com a imagem e o nome do parlamentar, panfletos e jingles. Para a procuradora regional eleitoral Sarah Teresa Britto, as ações tiveram potencial para promover a pré-candidatura junto ao eleitorado antes do prazo legal. “Eventos dessa natureza não podem se transmudar em comícios antecipados, com o pedido explícito de votos, a utilização de formas proscritas pela legislação”, escreveu ela na representação, conforme relatado pela Gazeta do Povo.
O MP pediu o reconhecimento da propaganda antecipada e a aplicação de multa de até R$ 25 mil. Randolfe, por sua vez, sustentou que a atividade era uma “mobilização legal e legítima de pré-campanha promovida pelo Partido dos Trabalhadores do Amapá” e que estava dentro das regras. O senador encarou o episódio como sinal de que sua candidatura já incomoda adversários. “O fato é que vemos que a nossa candidatura está incomodando. Isso é um bom sinal”, afirmou ao portal ConectAmapa.
A candidatura e o cenário amapaense em 2026
O Amapá terá duas vagas ao Senado em disputa em outubro de 2026. Randolfe, natural de Garanhuns (PE) mas radicado no Amapá desde os 8 anos, é o líder do governo Lula no Congresso Nacional, o que lhe confere posição privilegiada para articular recursos e projetos para o estado. Em seu pronunciamento nas redes, o senador listou obras que ajudou a viabilizar: a nova Maternidade Mãe Luzia, o Hospital Universitário, o Porto do Povo de Santana, a revitalização do Mercado Central de Macapá e melhorias no Aeroporto Internacional da capital.
O parlamentar também ressaltou a pauta da exploração de petróleo na Margem Equatorial, que representa uma aposta do Amapá em uma nova fonte de receita para o estado, e o processo de transposição de servidores dos ex-territórios para os quadros da União: mais de 7 mil famílias já foram beneficiadas e outras 14 mil poderiam ser alcançadas com a aprovação de uma PEC específica, segundo dados divulgados pelo próprio senador.
Com a pré-candidatura formalizada, o cenário eleitoral amapaense começa a se desenhar. A legislação permite que eventos de pré-campanha ocorram, desde que restritos à apresentação de propostas, sem pedido explícito de voto, jingles ou distribuição de material promocional. O evento oficial de lançamento deverá ser realizado dentro do calendário permitido pela Justiça Eleitoral, após 16 de agosto.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
