Uma das maiores operações contra o garimpo clandestino já realizadas no Amapá foi deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira, 18 de junho de 2026. Batizadas de Trato Sujo II e Trono de Ferro II, as ações cumpriam três mandados de busca e apreensão e seis de prisão preventiva nos estados do Amapá, São Paulo e Minas Gerais, todos expedidos pela Justiça Federal no próprio estado. O resultado imediato: seis pessoas presas e o bloqueio de aproximadamente R$ 250 milhões em bens dos investigados, que somados ao total da fase anterior chegam a mais de R$ 650 milhões em ativos indisponibilizados ao longo de toda a investigação.
O alvo das operações é uma organização criminosa suspeita de atuar na extração ilegal de cassiterita em garimpos clandestinos no Amapá e de lavar o dinheiro obtido com a atividade. Segundo a Polícia Federal, o grupo era responsável pela exploração ilegal de minério em larga escala, usando documentação fraudulenta para dar aparência legal à cassiterita extraída clandestinamente, prática conhecida como “esquentamento”. Ao todo, mais de 670 toneladas do mineral foram inseridas no mercado formal por meio de notas fiscais frias e empresas fantasmas.
Como funcionava o esquema
As investigações apontam que a organização tinha uma estrutura dividida em diferentes funções. Um dos principais investigados é apontado como o coordenador da extração ilegal nas áreas de garimpo. Outro suspeito, sócio de uma empresa chamada Tratho, teria sido responsável pela compra final da cassiterita ilegal e pela comercialização do mineral já beneficiado. Ele foi preso durante a operação, e um veículo Porsche em seu nome foi apreendido.
Outros integrantes do grupo foram identificados como contador responsável por emitir notas fiscais frias e movimentar recursos ilícitos, e como operadores de empresas de fachada usadas para inserir o minério no mercado legal, conforme detalhou o portal Metrópoles.
O esquema de lavagem passava pelo chamado circuito de beneficiamento, que transformava a cassiterita bruta em produto processado antes de comercializá-la como se fosse de origem lícita. O mineral, essencial para a produção de solda e de componentes eletrônicos, tem alto valor comercial e demanda crescente no mercado global.
Segunda fase de uma investigação em curso
As ações de 18 de junho representam um desdobramento da primeira fase da Operação Trono de Ferro, deflagrada em 19 de fevereiro de 2026, quando 36 mandados foram cumpridos. Naquela ocasião, seis pessoas foram presas e cerca de R$ 405 milhões em bens e valores foram bloqueados. A nova fase adicionou mais R$ 250 milhões ao total, consolidando a investigação como uma das mais expressivas já conduzidas no estado.
Os investigados podem responder pelos crimes de organização criminosa, usurpação de bens da União, extração ilegal de recursos minerais, lavagem de dinheiro, falsidade documental e outros delitos correlatos. A Polícia Federal informou que as medidas cautelares visam interromper as atividades criminosas, aprofundar a coleta de provas e identificar outros possíveis envolvidos no esquema, conforme registrou o Diário do Amapá.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
