O mercado brasileiro de carros usados e seminovos caminha para um novo recorde em 2026 e, na percepção de David do Prado, vendedor com mais de 10 anos de experiência no setor automotivo e de proteção veicular, o ritmo das vendas não vem acompanhado, na mesma medida, da preocupação em proteger o veículo recém-comprado. Dados da Fenauto mostram mais de 10,8 milhões de transferências de usados entre janeiro e julho, alta de 7,7% sobre o mesmo período de 2025. O crédito acompanha o movimento: no estado de São Paulo, os financiamentos de veículos novos e usados somaram 973,8 mil no primeiro semestre, o maior volume desde 2018.
Um caso comum no mercado de seminovos
Imagine um comprador que troca o carro popular antigo por um SUV compacto seminovo, com três anos de uso, avaliado em R$ 95 mil. Ele dá R$ 30 mil de entrada e financia o restante em 48 parcelas. Ao fechar o negócio, concentra a atenção na taxa de juros e no valor da prestação. A proteção fica para depois, quando sobrar espaço no orçamento.
Três meses mais tarde, o veículo é roubado em um estacionamento. Sem seguro nem proteção veicular, o comprador perde o bem, mas não a dívida: o contrato de financiamento continua válido, e as parcelas seguem vencendo todo mês. Ele passa a pagar, por quase quatro anos, por um carro que não existe mais.
Por que a dívida sobrevive ao carro?
O financiamento de veículos costuma ser feito por alienação fiduciária. O banco mantém a propriedade do carro até a quitação, e o comprador assume a obrigação de pagar as parcelas, independentemente do que aconteça com o bem. Roubo ou perda total não extinguem o contrato. Como observa David do Prado, poucos compradores fazem essa conta no momento da assinatura, justamente quando ela mais importa.

Com proteção ativa, o cenário muda. A indenização, calculada com base na tabela Fipe e descontada a cota de participação, pode quitar o saldo devedor ou boa parte dele. O prejuízo deixa de ser o valor integral do carro e passa a ser uma fração conhecida de antemão, que cabe no planejamento financeiro da família.
Proteção veicular como parte da compra
A lógica aplicada à documentação e à vistoria cautelar vale também para a proteção: ela deveria entrar no planejamento da compra, e não ficar para depois. Somar a mensalidade à parcela do financiamento ajuda a medir se o carro escolhido cabe, de fato, no orçamento, e evita que a proteção seja cortada no primeiro aperto.
Para veículos com mais tempo de uso ou condutores considerados de risco pelas seguradoras, a proteção veicular costuma ser a alternativa de custo mais acessível. Segundo David do Prado, contratar no mesmo dia da retirada do veículo elimina a janela de exposição que costuma existir entre a compra e a primeira providência de proteção. Em veículos financiados, a cobertura ativa desde o primeiro dia protege também o crédito assumido pelo comprador.
O que conferir antes de sair da loja?
Alguns cuidados reduzem o risco desse intervalo. O primeiro é confirmar se a entidade escolhida está cadastrada na SUSEP, exigência criada pela Lei Complementar n.º 213/2025. O segundo é ler o regulamento para saber se roubo, furto, colisão e perda total estão cobertos e em quais condições. O terceiro é verificar a cota de participação e se a indenização prevista será suficiente para cobrir o saldo do financiamento.
No caso descrito, a diferença entre uma dívida de R$ 65 mil sem carro e uma perda administrável estaria em uma decisão tomada ainda na loja. Com o mercado de seminovos em ritmo de recorde e associações como a Aproest Proteção Veicular operando sob regras mais claras, a avaliação de David do Prado é que proteger o carro no dia da compra deixou de ser cuidado extra e passou a fazer parte de uma compra bem planejada.
