Na visão de Dalmi Defanti, fundador da Gráfica Print e especialista em assuntos gráficos, criar imagens visualmente sofisticadas deixou de exigir o mesmo tempo e esforço de poucos anos atrás, mas a multiplicação dessas possibilidades trouxe um novo desafio para o design. À medida que ferramentas de inteligência artificial são utilizadas para explorar estilos, composições e referências semelhantes, diferentes produções podem começar a transmitir uma sensação de familiaridade.
Saiba mais a seguir!
Por que imagens diferentes podem transmitir a mesma sensação?
Duas imagens não precisam ser idênticas para parecerem semelhantes, destaca Dalmi Defanti. Iluminação, enquadramento, tratamento de cores, composição e nível de acabamento podem seguir padrões tão próximos que o observador reconhece uma estética recorrente, mesmo quando personagens, objetos e cenários são completamente diferentes. Quando esses elementos aparecem combinados repetidamente, a sensação de familiaridade pode surgir antes mesmo de o público identificar exatamente quais características provocaram essa percepção.
As ferramentas generativas também respondem ao direcionamento recebido. Quando muitos usuários solicitam conceitos parecidos por meio de descrições genéricas, aumenta a possibilidade de surgirem soluções construídas a partir de características visuais igualmente previsíveis. O resultado pode ser tecnicamente elaborado, mas apresentar pouca identidade própria. Por isso, a diferenciação depende também da capacidade de fornecer contexto, explorar referências menos óbvias e avaliar criticamente as alternativas produzidas antes de incorporá-las a um projeto.
O problema está na IA ou na falta de direção?
A inteligência artificial não elimina a necessidade de estabelecer intenção antes de produzir. Se não existe uma definição clara sobre mensagem, público, personalidade e contexto de aplicação, a ferramenta tende a ser utilizada principalmente para procurar algo que pareça interessante. O processo começa pela estética quando deveria começar pelo problema de comunicação.

A experiência de Dalmi Defanti Cuiabá com assuntos gráficos permite relacionar essa discussão à importância do planejamento visual. Antes de pensar em efeitos, acabamentos ou recursos tecnológicos, é necessário compreender o que determinada peça precisa comunicar. A ferramenta pode acelerar etapas, mas não substitui essa definição.
Por isso, comandos mais detalhados não resolvem sozinhos a questão da padronização. É possível escrever instruções extensas e ainda chegar a resultados genéricos quando falta uma ideia central. A direção criativa envolve estabelecer critérios para avaliar as opções produzidas, modificar propostas e reconhecer quando uma solução visualmente atraente não corresponde à identidade pretendida.
Ter mais referências pode aumentar a repetição?
O acesso constante a referências deveria ampliar repertórios, mas pode produzir o efeito contrário quando todos observam as mesmas fontes. Projetos populares circulam rapidamente pelas redes e plataformas especializadas, criando ciclos nos quais determinados estilos são vistos, reproduzidos e novamente apresentados como inspiração. Com isso, referências originalmente distintas podem acabar convergindo para soluções semelhantes, reduzindo a variedade que deveria surgir a partir de um repertório mais amplo.
Com a IA, esse processo pode ganhar velocidade. Uma estética que chama atenção pode ser rapidamente descrita, reinterpretada e aplicada em diferentes contextos. Em pouco tempo, características que inicialmente pareciam particulares passam a aparecer em identidades, anúncios, embalagens, ilustrações e conteúdos digitais. Essa multiplicação acelera o desgaste de determinadas soluções e torna ainda mais importante buscar referências além daquelas que já dominam os ambientes digitais.
De acordo com a atuação de Dalmi Defanti no universo gráfico, essa questão também pode ser observada quando o projeto deixa a tela. Formato, papel, textura e acabamento acrescentam possibilidades que ajudam a construir uma experiência específica. A identidade visual, portanto, não precisa depender exclusivamente da aparência de uma imagem gerada digitalmente. Explorar as características físicas do material permite acrescentar novas camadas à comunicação e criar diferenças que não estão limitadas aos recursos visuais apresentados na tela.
