Em linha com o que expõe Alexandre Costa Pedrosa, a multitarefa costuma ser confundida com eficiência, embora frequentemente represente um processo de alternância acelerada que desgasta foco e raciocínio. A mente muda de uma demanda para outra, responde mensagens, retoma documentos e decide prioridades sem pausa, e essa sequência cria a sensação de produtividade. Contudo, o custo aparece na qualidade: mais erros, mais retrabalho e menor clareza para concluir o que realmente importa.
Nesse sentido, compreender o custo mental da multitarefa ajuda a reorganizar a rotina com realismo. O objetivo não é eliminar imprevistos, e sim reduzir trocas desnecessárias e criar condições para que o cérebro sustente atenção por blocos. Assim, decisões ficam mais consistentes, o humor tende a oscilar menos e o dia ganha sensação de fechamento.
Multitarefa e alternância: o que acontece na prática
Como considera Alexandre Costa Pedrosa, o cérebro não executa duas tarefas complexas ao mesmo tempo com a mesma qualidade. Na maior parte das situações, ocorre alternância: a mente interrompe o que fazia, muda o foco, decide o próximo passo e tenta retomar o raciocínio anterior. Cada mudança exige uma pequena reorganização interna, pois o cérebro precisa resgatar contexto, lembrar do objetivo e reconstruir a sequência de ação.
Por outro lado, muitas rotinas são desenhadas para estimular essa alternância. Mensagens chegam com urgência, reuniões aparecem entre blocos de trabalho e notificações disputam atenção com tarefas longas. Logo, a pessoa vive em recomeços, e o esforço de retomar passa a ocupar parte relevante do dia, mesmo quando o volume de trabalho não aumentou.
O custo cognitivo das trocas e a fragilidade da memória de trabalho
Conforme detalha Alexandre Costa Pedrosa, a memória de trabalho sustenta informações temporárias para raciocinar, comparar opções e planejar etapas. Quando a multitarefa vira padrão, essa memória é interrompida com frequência, o que enfraquece a continuidade do pensamento. Desse modo, leitura e escrita ficam mais lentas, o planejamento perde precisão e decisões passam a ser tomadas com menos dados disponíveis no momento.
Entretanto, o problema não se limita à lentidão. Trocas constantes aumentam chance de esquecer detalhes, pular etapas e interpretar informações parcialmente. A partir disso, cresce o retrabalho: a pessoa relê mensagens, revisa documentos e volta ao início de tarefas para recuperar o fio. Esse retrabalho consome energia mental que poderia estar dedicada à análise e à tomada de decisão.

Multitarefa, estresse e reatividade emocional
Na interpretação de Alexandre Costa Pedrosa, a multitarefa também tem efeito emocional porque mantém o organismo em estado de alerta. Quando o cérebro precisa responder a estímulos diversos, a sensação de urgência se espalha pela rotina. Ainda assim, urgência prolongada reduz tolerância a frustrações, aumenta irritabilidade e favorece respostas impulsivas, principalmente ao fim do dia.
Em contrapartida, quando o foco é protegido, o humor tende a ficar mais estável. A mente deixa de ser puxada em várias direções e passa a operar com sequência, o que diminui a tensão interna. O estresse cotidiano não depende apenas do volume de tarefas, ele depende de como o dia é fragmentado e de quantas interrupções exigem decisão imediata.
Estratégias para reduzir alternância e preservar clareza
Segundo Alexandre Costa Pedrosa, a redução da multitarefa começa por desenho de rotina, não por força de vontade. Criar blocos de foco com começo e fim, definir horários para checagem de mensagens e silenciar notificações em períodos críticos diminui trocas. Dessa forma, o cérebro sustenta atenção por mais tempo e retoma tarefas com menos esforço, porque o contexto fica vivo.
Por fim, vale escolher uma prioridade central por bloco e registrar a próxima ação antes de interromper uma tarefa. Esse hábito simples reduz o custo da retomada. Diante do exposto, a multitarefa deixa de parecer virtude e passa a ser reconhecida como fonte de desgaste quando domina a rotina. Com ajustes realistas, o dia ganha clareza, o raciocínio se fortalece e as decisões ficam mais consistentes.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
