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Jornal Amapá > Blog > Notícias > Cortar custos é necessário, mas até que ponto? Evite os riscos ocultos da eficiência excessiva  
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Cortar custos é necessário, mas até que ponto? Evite os riscos ocultos da eficiência excessiva  

Diego Velázquez
Diego Velázquez agosto 4, 2026
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Valdoir Slapak
Valdoir Slapak
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Tal como menciona o executivo com atuação em administração, finanças, reestruturação empresarial e gestão estratégica, Valdoir Slapak, a redução de custos costuma ser uma das primeiras medidas adotadas quando empresas enfrentam desaceleração econômica, aumento das despesas ou necessidade de preservar caixa. A lógica parece incontestável: gastar menos melhora o resultado financeiro e amplia a capacidade de enfrentar períodos de incerteza. No entanto, existe uma diferença importante entre eliminar desperdícios e comprometer a capacidade competitiva da organização.

Contents
O menor orçamento nem sempre representa a empresa mais eficienteO verdadeiro desperdício pode estar nas escolhas, não nas despesasQuando a redução de custos começa a desacelerar a empresaEficiência sustentável depende de visão sistêmicaAs melhores decisões financeiras nem sempre são as mais óbvias

Essa distinção ganhou relevância nos últimos anos, à medida que empresas passaram a operar em mercados marcados por volatilidade, transformação tecnológica e mudanças rápidas no comportamento dos consumidores. Nesse ambiente, reduzir despesas deixou de ser apenas uma decisão financeira para se tornar uma escolha estratégica, capaz de fortalecer ou enfraquecer o negócio, dependendo da forma como é conduzida.

O menor orçamento nem sempre representa a empresa mais eficiente

Quando um programa de corte de custos é implementado, os primeiros resultados costumam aparecer rapidamente nos demonstrativos financeiros. Despesas caem, margens melhoram e a geração de caixa pode apresentar recuperação imediata. O desafio é que esses números nem sempre revelam aquilo que deixou de ser produzido internamente. Equipes reduzidas, investimentos adiados e menor capacidade operacional podem gerar impactos que só aparecem meses ou anos depois.

Valdoir Slapak expõe que a eficiência não deve ser confundida com austeridade permanente. Uma empresa eficiente é aquela que consegue direcionar recursos para atividades que aumentam sua competitividade e eliminar aquilo que efetivamente não gera valor. Quando todas as despesas passam a ser tratadas da mesma maneira, decisões aparentemente responsáveis podem comprometer inovação, qualidade, relacionamento com clientes e capacidade de crescimento.

O verdadeiro desperdício pode estar nas escolhas, não nas despesas

Grande parte das organizações concentra sua atenção nos custos que aparecem no orçamento, mas existe outra categoria de perdas muito mais difícil de identificar: as oportunidades abandonadas. Assim, Valdoir Slapak alude que cancelar projetos de inovação, reduzir investimentos em tecnologia ou interromper programas de capacitação pode gerar economia imediata, porém limita a capacidade da empresa de competir em um mercado cada vez mais dinâmico.

Valdoir Slapak
Valdoir Slapak

A gestão financeira moderna exige analisar não apenas quanto uma empresa economiza, mas também quanto ela deixa de produzir ao restringir investimentos estratégicos. Em muitos casos, a redução de despesas preserva o caixa no curto prazo, mas enfraquece justamente os fatores que sustentariam receitas futuras, criando um ciclo de estagnação que dificilmente aparece nos indicadores tradicionais.

Quando a redução de custos começa a desacelerar a empresa

Existe um fenômeno recorrente em processos de reestruturação: organizações tornam-se menores, mas não necessariamente mais produtivas. A diminuição de equipes pode concentrar responsabilidades, aumentar o tempo de resposta entre departamentos e dificultar a execução de projetos estratégicos. Em vez de simplificar a operação, alguns cortes acabam tornando os processos mais burocráticos e lentos.

De acordo com Valdoir Slapak, programas de eficiência precisam considerar a interação entre finanças, operação e estratégia. Uma economia obtida em determinada área pode provocar custos indiretos em outra, seja pela queda na produtividade, pelo aumento do retrabalho ou pela perda de capacidade decisória. Por isso, indicadores financeiros isolados raramente conseguem medir o impacto completo de uma política de contenção de despesas.

Eficiência sustentável depende de visão sistêmica

Após crises econômicas recentes, estudos da Harvard Business Review e da McKinsey & Company demonstraram que empresas mais resilientes não foram necessariamente aquelas que mais cortaram custos, mas aquelas que conseguiram distinguir despesas operacionais de investimentos estratégicos. Em vez de reduzir recursos de maneira uniforme, preservaram áreas capazes de acelerar a recuperação quando o mercado voltou a crescer.

Sob essa perspectiva, Valdoir Slapak destaca que planejamento financeiro, disciplina de caixa, governança corporativa e execução estratégica precisam funcionar de maneira integrada. A eficiência sustentável não nasce da simples redução de despesas, mas da capacidade de direcionar recursos para atividades que fortalecem a organização ao longo do tempo. Em um ambiente empresarial cada vez mais complexo, a pergunta mais importante deixou de ser “quanto podemos cortar?” e passou a ser “quais investimentos não podemos perder?”.

As melhores decisões financeiras nem sempre são as mais óbvias

A gestão financeira contemporânea exige equilíbrio entre prudência e visão de longo prazo. Preservar liquidez continua sendo essencial, mas reduzir investimentos indiscriminadamente pode significar abrir espaço para concorrentes mais preparados, mais inovadores e mais ágeis. A verdadeira disciplina financeira está menos ligada ao tamanho do orçamento e mais à qualidade das decisões que determinam onde cada recurso será aplicado.

Esse é um dos motivos pelos quais empresas que atravessam diferentes ciclos econômicos com consistência costumam compartilhar uma característica comum: tratam eficiência como um processo permanente de alocação inteligente de capital, e não como uma sequência de cortes. Quando essa lógica orienta a gestão, reduzir custos deixa de ser um objetivo em si e passa a ser apenas uma das ferramentas disponíveis para construir organizações mais sólidas, resilientes e preparadas para crescer.

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