O Doutor Yuri Silva Portela, fundador do projeto social Humaniza Sertão, está ligado a uma realidade em que o voluntariado pode aproximar cuidado, informação e apoio de pessoas que enfrentam dificuldades no acesso a serviços. Em 2026, porém, falar sobre ajuda voluntária na saúde exige também discutir limites, responsabilidade e continuidade. A contribuição pode ser relevante em diferentes contextos, desde que complemente a rede existente sem assumir funções que dependem de políticas públicas permanentes.
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Saiba com o Doutor Yuri Silva Portela onde o voluntariado consegue contribuir
Uma das possibilidades está na aproximação com comunidades que enfrentam barreiras para acessar informações e serviços. Ações voluntárias podem levar orientações, atividades educativas e apoio para determinados grupos, principalmente quando são planejadas de acordo com necessidades identificadas no próprio território. Essa presença mais próxima pode ajudar a perceber dificuldades que nem sempre aparecem nos canais formais de atendimento e indicar demandas que precisam de atenção.
Esse trabalho também pode ajudar a divulgar informações sobre prevenção e caminhos para buscar atendimento. Muitas pessoas deixam de procurar um serviço porque desconhecem onde ele está disponível, quais procedimentos precisam seguir ou quais recursos podem utilizar. Uma orientação adequada pode facilitar esse primeiro passo. Quando a informação é apresentada de forma clara e acessível, o morador pode compreender melhor quais alternativas estão disponíveis para sua situação.
Como destaca o Doutor Yuri Silva Portela, o voluntariado, portanto, não precisa oferecer uma solução completa para produzir algum efeito. Em determinadas situações, ajudar uma pessoa a compreender uma informação, encontrar um serviço ou identificar uma necessidade de saúde já representa uma contribuição. O resultado, entretanto, depende da articulação com outras formas de cuidado. A atuação voluntária ganha maior consistência quando consegue encaminhar demandas sem criar a expectativa de que uma ação pontual substituirá o acompanhamento necessário.
Por que conhecer a comunidade é importante?
Uma ação voluntária pode perder efetividade quando é planejada sem considerar a realidade de quem será atendido. Necessidades de uma comunidade urbana podem ser diferentes das encontradas em uma região rural ou afastada. Transporte, renda, infraestrutura e disponibilidade de serviços influenciam diretamente as possibilidades de cuidado. Até mesmo o horário e o local escolhidos para uma atividade podem determinar se os moradores conseguirão participar.

Conhecer o território também permite evitar iniciativas que não respondem aos problemas mais urgentes. Antes de organizar uma atividade, é importante compreender quais são as principais dificuldades da população, quais recursos já existem e onde estão as maiores lacunas. Conforme informa o Doutor Yuri Silva Portela, a escuta dos moradores pode contribuir para definir prioridades e evitar que recursos sejam direcionados para necessidades que não correspondem à realidade daquela comunidade.
Voluntariado pode substituir serviços públicos?
Não. Segundo o Doutor Yuri Silva Portela, essa distinção é fundamental para compreender o verdadeiro papel da ajuda voluntária na saúde. Projetos e pessoas podem oferecer apoio em determinadas situações, mas não possuem a responsabilidade de garantir serviços permanentes, estrutura adequada ou atendimento universal. Sua contribuição pode ser importante para complementar determinadas ações, mas precisa estar inserida em limites claros de atuação e responsabilidade.
Quando uma ação voluntária ocupa continuamente o espaço de um serviço que deveria ser oferecido pelo poder público, existe o risco de transformar uma contribuição complementar em substituição de uma política necessária. Além disso, iniciativas voluntárias podem depender de recursos e disponibilidade que variam ao longo do tempo. Essa instabilidade reforça a importância de não tratar atividades pontuais como garantia permanente de acesso a cuidados essenciais.
O voluntariado produz uma contribuição mais responsável quando reconhece seus próprios limites. Ações de orientação, mobilização e apoio podem fortalecer comunidades e aproximar pessoas de serviços existentes, enquanto a garantia do direito à saúde continua dependendo de políticas públicas estruturadas e contínuas. Quando esses papéis são compreendidos com clareza, a atuação voluntária pode contribuir para a comunidade sem criar a expectativa de que substitua a rede pública de atendimento.
