Quando o assunto é sustentabilidade, dificilmente o setor funerário é o primeiro segmento que vem à mente, mas essa realidade está mudando rapidamente. Tiago Schietti, como empresário do setor cemiterial e funerário, observa que cemitérios e empresas funerárias começam a ocupar espaço em discussões sobre práticas ambientais responsáveis, um movimento que ainda surpreende muita gente.
Historicamente associado a questões emocionais e simbólicas, o setor agora também é avaliado sob a ótica de impacto ambiental, uso de recursos naturais e práticas sustentáveis. Esse olhar mais amplo reflete uma tendência global, que aos poucos chega à realidade brasileira, trazendo novas possibilidades para a gestão de espaços cemiteriais.
Continue lendo para entender como certificações ambientais e princípios ligados a ESG estão começando a moldar o futuro do setor funerário no Brasil, e por que esse movimento tende a se intensificar nos próximos anos.
Certificações ambientais em cemitérios: utopia ou tendência real?
Falar sobre certificações ambientais aplicadas a cemitérios pode parecer, à primeira vista, algo distante da realidade brasileira, mas iniciativas nesse sentido já existem em diversos países e começam a ganhar espaço também aqui. Essas certificações costumam avaliar critérios como uso racional de água, manejo de áreas verdes, destinação adequada de resíduos e práticas de construção sustentável.
Segundo Tiago Schietti, o interesse por esse tipo de certificação não surge isoladamente, mas como parte de um movimento mais amplo de profissionalização do setor. Empresas que já investem em gestão eficiente, capacitação de equipes e modernização de processos encontram nas práticas ambientais uma extensão natural desse compromisso com a qualidade.
O que ESG tem a ver com cemitérios e funerárias?
A sigla ESG, que representa critérios ambientais, sociais e de governança, costuma estar associada a grandes empresas de diversos setores, mas seus princípios são perfeitamente aplicáveis à realidade funerária. No aspecto ambiental, isso significa atenção a impactos ecológicos das operações. No aspecto social, envolve a relação com colaboradores e comunidades. Já a governança está ligada à forma como a empresa é administrada internamente.

Como empresário do setor cemiterial e funerário, Tiago Schietti explica que o setor funerário tem uma característica particular nesse contexto: por sua proximidade com questões emocionais e familiares, o componente social do ESG já está naturalmente presente em boa parte das operações. O desafio está em estruturar esses cuidados de forma organizada e em ampliar a atenção para o componente ambiental, que ainda é menos explorado.
Será que sustentabilidade e respeito à memória conseguem caminhar juntos?
Uma dúvida natural que surge ao discutir sustentabilidade no contexto funerário é se práticas ambientais poderiam, de alguma forma, conflitar com o respeito simbólico que envolve cemitérios e cerimônias de despedida. Para Tiago Schietti, essa preocupação, embora compreensível, não reflete a experiência observada em locais que já adotaram esse tipo de prática.
Pelo contrário, áreas verdes bem cuidadas, manejo consciente de recursos naturais e espaços que respeitam o equilíbrio ambiental tendem a tornar os cemitérios ainda mais acolhedores, criando ambientes que remetem à tranquilidade e à conexão com a natureza, elementos frequentemente associados a momentos de reflexão e memória.
Os primeiros passos para um cemitério mais sustentável
Implementar práticas sustentáveis em cemitérios não precisa ser um processo complexo ou distante da realidade de administrações de diferentes portes. Iniciativas como reaproveitamento de água da chuva para irrigação, escolha de espécies vegetais adaptadas ao clima local e programas de reciclagem de materiais usados em manutenção já representam avanços significativos.
De acordo com Tiago Schietti, o segredo está em começar com mudanças viáveis e mensuráveis, que possam ser ampliadas gradualmente. Pequenas iniciativas, quando bem documentadas, ajudam inclusive a preparar terreno para futuras certificações, criando um histórico de práticas que demonstram o compromisso ambiental da administração.
Autor: Diego Rodríguez Velázquez
