Paulo Roberto Gomes Fernandes conduziu, em 2011, um dos movimentos mais estratégicos da trajetória da Liderroll ao anunciar a entrada da empresa no setor de mineração, com a exploração de jazidas de minério de ferro no Peru. À época, a iniciativa marcou a primeira investida da companhia fora do eixo tradicional de soluções de engenharia para os setores de petróleo e gás, ampliando o escopo de atuação internacional do grupo.
O acordo firmado envolveu duas minas localizadas na região de Trujillo, no norte do Peru, e representou um passo relevante para uma empresa que já possuía posição consolidada no desenvolvimento de tecnologias patenteadas para suportação e lançamento de dutos. Até então, a Liderroll era amplamente reconhecida por suas soluções aplicadas em projetos complexos no Brasil, como os túneis do Gasduc III, no Rio de Janeiro, e do Gastau, em São Paulo, ambos concluídos com elevado grau de inovação técnica e ganhos ambientais expressivos.
Da engenharia de dutos à mineração estratégica
Naquele momento histórico, Paulo Roberto Gomes Fernandes evidencia que a Liderroll acumulava patentes registradas em mais de 50 países e havia se destacado por criar os roletes motrizes utilizados em obras de alta complexidade. Esses equipamentos foram decisivos para o lançamento de tubulações em túneis extensos e de pequeno diâmetro, evitando grandes intervenções ambientais, especialmente em áreas sensíveis como a Serra do Mar.
Foi nesse contexto de maturidade tecnológica que surgiu a oportunidade no setor mineral. O ingresso na mineração não ocorreu como um desvio de rota, mas como uma extensão estratégica da visão de negócios da empresa, baseada na identificação de gargalos globais de suprimento e na busca por integração entre engenharia, matéria-prima e infraestrutura.
Origem da oportunidade e características das jazidas
A ideia de investir em mineração surgiu a partir da percepção, já em 2011, de um cenário internacional marcado pela escassez de insumos industriais, como aço, ferro e polímeros. Naquele período, a forte demanda asiática, especialmente da China, pressionava os preços e afetava cadeias produtivas em diversos setores, inclusive o aeroespacial e o de energia.
As minas peruanas apresentavam características técnicas bastante atrativas. Amostras iniciais indicavam teor médio de 63% de minério de ferro, índice considerado elevado para padrões internacionais. Além disso, Paulo Roberto Gomes Fernandes frisa que a localização era estratégica, com acesso a recursos hídricos, proximidade de linhas de alta tensão e distância relativamente curta até o porto de Salaverry, no litoral do Pacífico, o que facilitava a logística de exportação.
Estrutura do acordo e fase inicial de investimentos
O acordo firmado previa um modelo de parceria no qual o proprietário local entrava com as áreas de mineração, enquanto a Liderroll assumia a exploração técnica. Em uma das minas, a participação da empresa brasileira seria de 33%, enquanto na outra a intenção era alcançar 50% de participação.

Paulo Roberto Gomes Fernandes informa que, na fase inicial, o plano envolvia estudos detalhados, incluindo análises químicas, avaliações geológicas e perfurações exploratórias, com investimento estimado em cerca de R$ 10 milhões. Esse período de validação técnica estava previsto para durar entre seis e oito meses, etapa considerada essencial antes da definição de um projeto industrial de maior porte.
Projeções industriais e busca por parceiros financeiros
Confirmadas as reservas e a viabilidade técnica, o projeto previa a implantação de uma planta industrial com investimento estimado entre R$ 600 milhões e R$ 700 milhões, valor compatível com empreendimentos de grande escala no setor mineral. Já naquela fase inicial, havia interesse de instituições financeiras em participar do projeto, embora as negociações ainda estivessem em andamento.
Um dos diferenciais apontados na época era a posição geográfica das minas, voltadas para o Oceano Pacífico, o que facilitava o acesso direto ao mercado asiático. Essa característica reforçava o potencial competitivo do empreendimento no cenário global.
Confiança, reputação e visão de longo prazo
Mesmo sem tradição prévia na mineração, a Liderroll foi escolhida para o negócio em razão de sua reputação técnica e da confiança construída ao longo de sua atuação em projetos de alta complexidade. A decisão refletiu não apenas critérios econômicos, mas também a credibilidade associada ao histórico da empresa.
Paulo Roberto Gomes Fernandes conclui que esse movimento, visto hoje com o distanciamento do tempo, exemplifica a postura da Liderroll naquele período: identificar oportunidades fora do óbvio, diversificar com cautela e aplicar princípios de engenharia, gestão e ética empresarial em novos segmentos. A entrada no setor mineral, em 2011, consolidou-se como mais um capítulo relevante na estratégia de internacionalização e expansão da companhia.
Autor: Luvox Pherys
